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domingo, 1 de abril de 2012

Quintais AgroFlorestais

 Os mais observadores notarão que integrei a este blog uma nova página intitulada Quintais AgroFlorestais, que criei à cerca de uma semana. A página, na verdade, trata-se de um novo blog. E sua hospedagem nesse blog assumiu um modelo conveniente que pudesse unir os dois ambientes virtuais. 

 Esse novo blog foi criado com o objetivo de divulgar fotos de hortas, sítios e fazendas que fazem uso de técnicas agroflorestais como forma de manejo. Procurando, desta forma, contribuir para o aprendizado de pessoas que queiram iniciar um plantio agro-florestal em sua casa e difundindo assim a Agricultura Ecológica.

 O projeto Quintais AgroFlorestais compreende que, para o ser humano, o cultivo caseiro de seus próprios alimentos é uma das melhores formas de se garantir um alimento saudável e nutritivo diariamente.


 O modelo expansivo de cultivo de alimentos que existe no Brasil hoje, faz com que tenhamos alimentos muito baratos a nossa mesa, mas ao mesmo tempo alimentos que carregam altas cargas de agro-tóxicos realmente nocivos a saúde. Além disso, sabemos que a modernização do sistema agropecuário concentrou ainda mais a renda nas mãos de fazendeiros e empresários.


 A substituição de milhares de trabalhadores por um pequeno número de máquinas agravou a crise do homem camponês, que perdendo suas raízes, parte para cidade em busca de melhores oportunidades. Esse efeito não só repete o de outras constantes migrações periféricas, como também aponta que os problemas de hiper-povoamento urbano e desemprego podem estar se intensificando.

 O estímulo a produção orgânica e agro-florestal de pequenos produtores têm tornado cada vez mais amplo o mercado de consumidores que se preocupam com o alimento que estão comprando para suas casas. Sabendo que estão apoiando o crescimento econômico de pequenas famílias agricultoras, que estão se alimentando de um alimento saudável, cultivado com técnicas que não agridem o meio-ambiente, os consumidores pagam preços mais adequados, o que possibilita o crescimento desse modelo de cultivo alternativo ao modelo convencional. Já é possível encontrar diversos produtores orgânicos em feiras no Rio de Janeiro. Algumas delas estão no post abaixo!


Espero que gostem deste novo trabalho! Venha conhecer e se deliciar com 
Quintais AgroFlorestais!!!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Produtos da Roça

No início do ano de 2010, eu e minha família decidimos abandonar o Rio de Janeiro, cidade onde nascemos e crescemos, para ir morar no distrito de Aldeia Velha, comunidade rural no interior do estado. 
Nosso objetivo ao deixar a cidade era resgatar, na comunhão com a natureza, o espírito dos povos da terra.
Deixando para trás a civilização e o caos, abandonando as mazelas da hiper-concentração urbana, como a poluição e a violência. Buscávamos no campo um lugar simples, com gente humilde, onde pudéssemos criar nossos filhos com liberdade, regados pela abundância e pela beleza de um verdadeiro paraíso ecológico.
E para cá viemos. E aqui fizemos morada. E tratamos de procurar então, um meio de levar a vida. Uma ocupação que gerasse sustento a nossa família, que já aguardava a chegada de um novo ser.

E assim mergulhamos na problemática sobrevivência da população rural.
De imediato, muitas questões se apresentaram. A concentração e especulação econômica da terra, o modelo de pastagem e a moderna agricultura industrial que prevalecem no campo.
A força do camponês, ainda que desgastada, repousa na sua simplicidade. E nela abastecemos nossa coragem de seguir em frente. Não desistimos do nosso plano de nos tornarmos pequenos produtores rurais, apesar das dificuldades.

Quase todo morador da roça, tem no seu quintal o plantio de algum alimento ou a criação de algum animal. Na roça, todos são produtores. Todos são artesãos da natureza.
Aqui, em pequenos lotes no vilarejo, ou em sítios um pouco maiores e mais afastados, produz-se muito em muito pouco espaço. Tão pouco espaço, que chega a espantar que tão pouca terra possa produzir tanto.
Em meu quintal, num espaço de aproximados 40ms quadrados, é possível produzir legumes suficientes para serem consumidos durante 3 meses por uma família composta por 4 pessoas. Fazendo alguns cálculos, perceberemos que serão necessários não mais do que 1000ms quadrados para que minha família possa ser auto-suficiente, produzindo desde seus próprios legumes e verduras até os animais de sua criação que servirão a vossa mesa.
Com uma boa rede de trocas entre produtores, pode-se ter de tudo sem nem mesmo conhecer que cor tem o dinheiro.


Essas qualidades fazem do fortalecimento da Agricultura Familiar um caminho seguro para a transição agroecológica de nossa sociedade. Quando toda a população contida e amontoada nas grandes cidades espalhar-se pelo chão, dividindo em partes iguais os grandes latifúndios com suas monoculturas e pastagens. Quando assentados no chão, todos os seres urbanos se tornarem produtores, artesãos da terra... estaremos, enfim, livres das desgraças da aglomeração humana. Estaremos aptos a recomeçar uma vida mais saudável e real. Em contato pleno com a nossa verdadeira natureza interior.

Apoiar a Agricultura Familiar é uma forma de caminharmos nessa transição agroecológica. Incentivar a produção orgânica e a expansão das técnicas de bioconstrução e permacultura serão cruciais nesse processo.
O fortalecimento de familias tradicionais de agricultores é importante para a produção de alimentos saudáveis que cheguem às nossas mesas deixando florestas em pé.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Uma crônica tragédia anunciada!

As recentes catástrofes naturais que estão acontecendo no mundo estão deixando milhões de pessoas atônitas frente ao poder de transformação que tem a natureza.

Em particular, a tragédia que atingiu a região Serrana do Rio de Janeiro, deixou cerca de mil mortos e um cenário catastrófico que abalou muita gente.
Esse momento de tristeza e sofrimento deixa em todos nós uma sensação de fraqueza e impotência. O rastro de destruição impressiona nos levando a pensar que nada podemos fazer para frear a natureza em seu processo de auto-regulação.
É possível que tenhamos levado o planeta Terra a um ponto intermitente aonde não poderemos mais conter às transformações climáticas que se apresentam. No entanto, é preciso tirar desses acontecimentos algumas lições fundamentais, para que catástrofes desse tipo não voltem a acontecer com as mesmas proporções de vítimas fatais.

Uma pertinente observação feita por um pesquisador da região revelou que aproximadamente 80% das casas atingidas estavam em área de preservação permanente (APP), ou seja, áreas de conservação ambiental onde não é permitida a construção de casas ou plantio de roça.
Uma boa parte dessas pessoas é alertada regularmente pelos órgãos competentes de que ocupam uma área irregular mas desafiando as leis ambientais, permanecem em suas casas alegando não ter outro lugar pra ir.

Como as leis de APP são recentes, grande parte das casas que ocupam estas áreas são anteriores a lei e por isso estão legalmente amparadas para permanecerem ali.
Como são recentes também as mudanças que estão ocorrendo com o clima e a biodiversidade, é preciso que as pessoas olhem as novas leis sobre um prisma diferente.
Muito acostumados estamos a questionar leis que beneficiam os ricos e prejudicam os pobres (e muitas são as leis que aparentam esta intenção) mas as leis da APP estão sendo feitas para todos; ricos e pobres indistintamente; e devem ser respeitadas por todos que prezam pela segurança ambiental de sua família e sua comunidade.

Não estaremos todos a salvo mesmo se seguirmos as leis de conservação das APP’s e Reserva Legal, porém elas já nos servem como orientação no caminho que devemos seguir.
A nova sociedade do século XXI precisa inserir a consciência ambiental nos paradigmas de planejamento da sociedade. Os conceitos ecológicos devem penetrar os conceitos humanos em todos os campos, para que construamos uma sociedade biodinâmica integrada aos sistemas funcionais de Gaia.

Ignorar essa responsabilidade humana com o meio ambiente é um risco, que aumenta a cada dia. Ignorar nossa responsabilidade ambiental é ignorar as tragédias que estão acontecendo nesse momento no mundo todo. Acontecimentos que poderão, a qualquer momento, estar à porta de nossas casas.
Que pensemos, repensemos e aprendamos com as lições que Gaia nos dá! 
Evoé.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

ENGA - Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia 12 a 15 de Novembro/ Aldeia Velha.




É com grande alegria e entusiasmo, que viemos convidar-lhe para participar do II Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia (ENGA), a se realizar de 11 a 16 de Novembro em Aldeia Velha, distrito do município de Silva Jardim-RJ.

O ENGA pretende fomentar intercâmbios entre grupos e comunidades, onde as reflexões e discussões sobre temas como: Segurança Alimentar e Saúde, Cultura popular e Tradicional, Sustentabilidade na Agricultura, Economia Solidária e Integração Social, contribuam para a realidade da comunidade local e das experiências agroecológicas da região onde o evento será realizado.

Além disso, o II ENGA, tem o objetivo de criar um espaço em que os membros de Grupos de Agroecologia possam se reunir, discutindo questões inerentes aos grupos e apontando perspectivas de atuações futuras. Portanto, o II ENGA, terá também caráter deliberativo que planeje ações contínuas para o desdobramento da rede dos GAs, bem como definição dos grupos que assumirão a organização do próximo ENGA.

Durante os 05 dias de convivência serão realizados espaços de troca de saberes com instalações pedagógicas, visitas e mutirões nas experiências da região, uma feira agroecológica e cultural nas ruas de Aldeia Velha, além de espaços para reflexões e discussões focadas em temas relacionados ao envolvimento sustentável, cooperativismo e associativismo rural, educação diferenciada, extensão rural, economia solidária e inclusão social, sementes, plantas medicinais, sistemas agroflorestais, agricultura urbana, fontes renováveis de energia, bioconstruções, gênero, soberania alimentar e saúde integral.

A programação do encontro será composta por atividades integradoras conduzidas por metodologias participativas como: rodas de discussões e círculos temáticos, mutirões, feira cultural agroecológica, trocas de experiências e espaços de socialização que sejam direcionados para fortalecimento da rede dos GAs, fomento da transição agroecológica local e construção de propostas para reivindicar e garantir acesso das comunidades e agricultores às políticas públicas e tecnologias alternativas.

http://encontronacionalgruposagroecologia.wordpress.com/

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Gaia, Ciências da Terra

A proposta da revista ‘Gaia, Ciências da Terra’ é lançar luz sobre temas das novas ciências agroecológicas e permaculturais que atualmente estão se desenvolvendo no Brasil e em outros países do mundo. A agroecologia e a permacultura são ferramentas que hoje nos permitem conhecer melhor os desequilíbrios sócioambientais encontrados e pensar soluções economicamente viáveis e sustentáveis para esses problemas.
Ignorar o efeito danoso que nossa sociedade industrial tem causado ao meio ambiente é um risco para a nossa própria espécie. Mudarmos de atitude é uma necessidade se pretendemos sobreviver às transformações climáticas que o nosso planeta está sofrendo.
Acordar nossos sentidos para compreender o que se passa no coração de Gaia é um desafio que devemos enfrentar, se queremos tomar as decisões corretas para o futuro. Contudo, precisaremos de bons instrumentos para auscultá-la. Como médicos, precisamos estudar a terra para tratar suas terríveis doenças. Agora, antes que seja tarde.
A revista ‘Gaia, Ciências da Terra’, vem aproximar ainda mais o cidadão comum dos temas da ecologia e da sustentabilidade trazendo, a cada Lua Cheia, atitudes simples, que podemos tomar em nosso cotidiano, e que podem alterar de uma vez nossa maneira de nos relacionarmos com o mundo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Lua Harmônica Vermelha (2010 / 2011)


O ano da Lua Harmônica Vermelha começou mesmo em grande estilo, com uma maravilhosa Lua Cheia banhando a nossa festa cósmica. Prestamos bastante atenção em Vossa magneficiência enquanto nos banhavamos e dançavamos em enluarado baile. Tão perto das flores, das folhas, da Terra estamos. Que já sabemos reconhecer com os olhos as sementes. Já podemos acompanhar seu crescimento. E poderemos saber quando anunciarem que frutos maduros virão.
Este novo ser que está por despertar dentro de nós, chama pela vida, por chama viva, de luz e de amor. Basta olharmos a Lua vermelha a rodear no céu, acompanharmos unidos seus ciclos, munidos pela magia das sementes. E, com os olhos marejados de lágrimas, dançarmos abraçados os cantos e encantos de purificação do planeta Terra.
Nessa doce esfera em ascenção. Nossa mãe Gaia espera por nós. Ela acredita que nós podemos mudar nossa forma de viver.
Basta acompanhar, nessa caminhada solar, o ciclo da Lua. E no entender de seu ritmo circular, compreender como pode o Ser se purificar.


terça-feira, 16 de março de 2010

A caminho de casa

Estamos estabelecendo elos com importantes atores da teia da Vida.
Estamos colhendo sementes, conversando com as árvores, andando com os animais.
Estamos reaprendendo a olhar o céu e as estrelas, e a nos comportar como Seres Celestes.
Somos refugiados do pavor de uma nação em desespero. Escolhemos o caminho da perseverança. Temos poucas chances de encontrar uma Terra boa e saudável no futuro.
Estamos de peito aberto e, embora tenhamos medo, estamos certos de que o virá será benevolente e o presente, daqui pra frente, será suor e luz.

Nosso primeiro desafio será encontrar uma terra aonde poderemos cultivar o nosso sonho.
Neste país aonde as pastagens e os latifundios monocultores ocupam 3/4 do ambiente rural será difícil encontrarmos uma terra livre onde possamos viver.
No entanto, persistentes, caminharemos pelas montanhas e vales procurando nossa terra sem mal.
Após dias caminhando, talvez até semanas, encontraremos uma terra aonde poderemos, enfim, chamar de ‘nossa casa’.

sábado, 19 de dezembro de 2009

III Aldeia Cultural - Como foi?



No final de semana dos dias 11, 12 e 13 de Dezembro, aconteceu no
distrito de Aldeia Velha, Silva Jardim, a 3˚ edição do ALDEIA CULTURAL
– Mostra de Conhecimento Tradicional de Aldeia Velha.
Esse ano contando com o patrocínio do Governo Federal, adquirido
através do edital de apoio a pequenos eventos aberto pelo Ministério
da Cultura, o Aldeia Cultural contou com a presença de diversos grupos
musicais, teatrais, agricultores e produtores rurais, ambientalistas,
grupos acadêmicos e representantes de movimentos sociais que, durante
três dias, fizeram da pequena cidade de Aldeia Velha um verdadeiro
quilombo cultural.


Na sexta feira (11/12) a abertura do evento foi a oficina de
cenografia realizada pela Ana Rezende e pela Luz de Lucena com as
crianças da Escola Municipalizada Vila Silva Jardim. O resultado foi
uma linda variedade de animais recortados e coloridos pelos alunos,
que ficaram expostos no palco da mostra durante os outros dias da mostra.
Ainda na sexta feira ocorreu a apresentação do grupo musico-teatral
Carroça de Mamulengos que emocionou o público presente com seu
espetáculo folclórico que conta causos da vida real e reúne elementos
do circo e do teatro popular regional.

Para encerrar a noite, a Orquestra Voadora com seus 14 artistas fez
um espetáculo itinerante pelas ruas de Aldeia Velha e levou o público
de cerca de 300 pessoas a um estado de extrema euforia.

O sábado começou com a caminhada ecológica pelas cachoeiras de Aldeia
e foi preenchido pela tarde com as oficinas de Quintas Agroecológicos
realizadas nas cercanias de alguns moradores locais. O objetivo era
estimular a troca de conhecimento entre os moradores da cidade e do
campo acerca dos conhecimentos agroecológicos e fomentar a produção e
o consumo dos alimentos locais. Enquanto isso, a carroça de livros movida pela Trupe Trupiniquim perambulou pela cidade espalhando literatura e contando histórias aos
moradores e transeuntes. Os artistas circenses arrancaram risadas dos
que passearam pela praça.

Para encerrar a noite, o show do Nó Cego, grupo de forró de São Pedro
da Serra, iluminou o palco e provocou o tradicional arrasta pé dos
forrozeiros.

No Domingo, aconteceu pela manhã a Feira de Produtores de Aldeia
Velha, onde os agricultores e produtores que integram a rede expuseram
seus diferentes produtos, demonstrando a diversidade da produção
familiar da região. Da vassoura de Pindoba ao sabão feito com óleo
reciclado. Do mais puro mel ao café torrado e moído. Em todos os
sorrisos estava o orgulho do pequeno produtor ao poder saciar seu
público. Em todos os olhares estava o brilho e a dignidade de poder
ser um produtor.

A Feira ainda contou com a presença de índios Pataxó oriundos de uma
aldeia no sul da Bahia também denominada Aldeia Velha, e de diversos
agricultores vindos dos assentamentos, quilombos e demais localidades
do Estado do Rio de Janeiro.

Após o término da Feira, todos caminharam até a Escola Municipalizada
de Aldeia Velha aonde foi servido um almoço vivo agroecológico produzido
com alimentos da Rede de Produtores de Aldeia Velha seguido por um
debate sobre o bem comum, propriedade intelectual e o perigo dos transgênicos à conservação de sementes.

Posteriormente, ocorreu a inauguração da Casa de Sementes Livres. Um
marco para a conservação das sementes caboclas de todo o Estado.
Os shows do Filhos da Aldeia (grupo regional de forró), da Orquestra
Apanhei-te Cavaquinho de Cabo Frio e do grupo de Jongo do Quilombo São José,
de Valença, deram desfecho aos festejos do Aldeia Cultural, celebrando
a cultura popular, a diversidade étnica e reafirmando a identidade
cultural de uma comunidade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Feira de Produtores de Aldeia Velha

Na Feira estão todos os Produtores com os seus produtos.
Artesanatos, tradições, objetos de arte, grãos, folhas ... frutos.
Todos juntos! Alguns vindos de muito longe.
Tão longe que à vista a montanha esconde.
Mas o que a mata esconde, não é impossível de ver.
Se bons olhos vós costuma ter.
Há de ver nas marcas, de um homem bruto
o admirável que é poder prover
a todos com seu próprio produto.
Vem a pé ou em lenta cavalgada
E se vem, vem carregado.
O lavrador com seu alimento.
Alimenta o povo e tira sustento.
E assim se dá por Abençoado!
Bem melhor que filosofia,
É o humano que tira na lida do dia
Em proveito nosso,
O que Deus dá a contento.
Vem da terra o fruto que pelas mãos robustas
toma forma as vezes à muitas custas
e chega a nós como um delicioso alento.
A Feira se faz em Festa,
Por ver em cada um o luminoso brio.
A rua fecha, em plena luz do dia.
Em Aldeia Velha, a vida é bela.
E se move como um rio.

domingo, 26 de julho de 2009

Feliz Ano Semente Auto-Existente Amarela!!


Estamos começando mais um ano galáctico, o ano da semente auto-existente amarela, que vai do dia 26 de julho de 2009 até o dia 24 de julho de 2010. Nesse ano esperamos dar forma aos rumos que temos seguido desde o início de nossa caminhada, em 2006. E assim consolidar com periodicidade e dinamismo as ações da Escola da Mata Atlântica.

No último ano galáctico, ano da Tormenta Elétrica Azul, que acabou recentemente, demos continuidade a nosso processo de transformar a Horta da Escola de Aldeia Velha numa Horta Agroecológica, planejada por sábios técnicos permacultores. Foi ótimo ver os alunos da escola, os professores e até alguns membros da comunidade de Aldeia Velha, colaborando nesse processo.

A escola de Aldeia Velha foi envolvida também pelo Curso de Formação Pedagógica da Casa de Sementes Livres, onde os professores receberam semanalmente palestras com convidados oriundos das mais diversas instituições ambientais, sociais e políticas de todo o Estado do Rio de Janeiro. O curso foi realizado no intuito de aproximar os professores aos conhecimentos agroecológicos e conservacionistas, além de fortalecer a autonomia política e a mobilização regional, unindo elos da cultura tradicional local, que deve ser preservada.

(Vídeo no You Tube sobre a Casa de Sementes: http://www.youtube.com/watch?v=XIXEbAP-DME )

Agora no ano da Semente Auto-Existente, a EMA estará dando inicio às atividades do Ponto de Cultura Caipira de Aldeia Velha, projeto do Governo Federal, que será realizado durante três anos no povoado.

No mês de Setembro será realizada a Feira de Sementes em Aldeia Velha, dando continuidade às atividades da Casa de Sementes Livres.

Em Outubro, acontecerá o III Aldeia Cultural, dessa vez com mais estrutura, espalhando oficinas, debates, exposições e apresentações artísticas pelas ruas da cidadela.

A partir de então poderemos começar a nos focar na produção do IV Festival Experimental EletrOrgânico, que deverá acontecer num inusitado formato nesse Ano da Semente Auto-Existente!

Acho que podemos esperar muitas novas realizações do coletivo da Escola da Mata Atlântica. Um coletivo, que no amor de suas ações, vem construindo um pólo de agroecologia, preservação ambiental e unindo as pessoas através de organizações mais humanas e humanitárias.

Feliz Dia Fora do Tempo!!



E um Bom Ano da Semente Auto-Existente Amarela para todos e para o planeta!!!!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Casa das Sementes Livres de Aldeia Velha.

Eu sempre fui amigo das sementes.
Pois enquanto eu, livre, voava pelos céus...
Ficava a observar a escravidão e a dor que elas sofriam nas mãos de gananciosos comerciantes de alimentos.

Envenenadas com agrotóxicos altamente perigosos à saúde. Geravam alimentos inócuos, que eram então vendidos as famílias nos mercados, mas que, intoxicados, não podiam gerar novos frutos.
As famílias de agricultores mais pobres ficavam sempre escravas dos agricultores mais ricos, que tinham o controle das sementes. E assim não podiam se tornar produtoras.
Muitas vezes eu mesmo engolia uma semente e transportava ela até um lugar seguro, onde pudesse despejá-la com segurança, à salvo de homens ganaciosos.
Foi por isso que eu fiquei muito feliz quando vi alguns jovens da Escola da Mata Atlântica anunciarem a construção da Casa das Sementes Livres de Aldeia Velha.



Através da conservação das sementes boas, as conhecidas sementes criollas, os agricultores poderiam ter acesso a sementes de qualidade sem ter que pagar nada por isso. Ficando livres para produzirem alimentos muito bons e saudáveis, que pudessem também alimentar outras famílias.
Durante o primeiro ano do projeto foi realizado um curso mensal de introdução às questões agroecológicas, na Escola Municipalizada de Aldeia Velha. Foram abordadas as questões dos remédios naturais (fitoterápicos) feitos com plantas medicinais; das caldas naturais, (remédios contra pragas agrícolas feitos de maneira natural, em contraposição ao uso de agrotóxicos); de introdução a Agroecologia em si; e da importância de um banco de sementes comunitário como garantia da conservação da biodiversidade e do livre acesso as sementes pelos agricultores.
Ao final deste primeiro ano foi iniciada a construção da Casa das Sementes Livres de Aldeia Velha. Em mutirões que contaram com a participação de pessoas de diversas regiões do Estado. Pouco a pouco foi se desenhando a estrutura das paredes de estuque. Com barro e madeira, foi-se moldando o destino das sementes.

A conservação de suas histórias e de suas distintas combinações genéticas é a garantia da continuidade de sua família e de suas raízes ancestrais.
Aliada a conservação das sementes criollas, a Casa das Sementes Livres montou também um telecentro de informática para a disseminação de outras ‘sementes livres’, as sementes digitais do software livre.
Mas o que os softwares livres tem a ver com as sementes crioullas?
Se você não entendeu, preste atenção:
O controle de patentes dos softwares é muito parecido com o que tem acontecido no controle de patentes de sementes transgênicas. O agricultor, ou o usuário de um computador, fica obrigado a comprar a sua mercadoria das grandes empresas, escravo das suas eternas inovações tecnológicas.

Com os softwares livres, os usuários de computadores ficam livres para criar e recriar seus softwares, aprimorando eles livremente apartir de seu uso contínuo. E não precisam pagar nada por isso.
Com as sementes crioullas, os agricultores tem acesso a sementes de qualidade, selecionadas milenarmente apartir de seu uso. E não precisam pagar nada por isso.
Dessa forma, a Casa das Sementes Livres de Aldeia Velha ajuda na criação de alternativas sustentáveis de conservação ambiental, possibilitando que todos tenham acesso gratuíto a cultura, ao conhecimento e às ferramentas de transformação social necessárias para uma efetiva mudança nos padrões de produção e consumo da sociedade.
Junto com a conservação das sementes crioullas também é importante manter um modo de plantio integralmente orgânico. Para que as sementes sejam preservadas com a menor influência química possível.
Até eu já fiz minha casa dentro da Casa das Sementes, e vou ficar junto dos meus amiguinhos...

E agora, finalmente se iniciará o Curso de Inauguração da Casa de Sementes Livres de Aldeia Velha. Apartir do dia 17 de Junho até meados de Julho, toda quarta-feira acontecerá na Escola Municipalizada de Aldeia Velha, local aonde está situada a Casa das Sementes, um ciclo de palestras e oficinas culminando, no dia 18 de Julho, com a saborosa Festa da Roça, momento de consolidação de um sonho em realidade. E o início de uma nova relação entre nós e o mundo que nos rodeia!!


Ass.: Passarinho da Horta da Escola de Aldeia Velha.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A Rede BioSócioRegional do Estado do Rio de Janeiro





Com base em muito esforço e dedicação, ao longo deste ano e do ano passado, foi se desenvolvendo os elos da Rede BioSócioRegional Rio de Janeiro.
No ano passado foram realizados diversos encontros periódicos, seguindo os ciclos da lua cheia, onde o foco era o trabalho com a terra e a troca cultural e espiritual entre os membros deste grande organismo coletivo.
Muitas canções foram aprendidas, muitas rodas foram realizadas. Celebrações, rituais mágicos de cura, abraços coletivos, orações... tudo completando uma imensa alegoria de sons e sentimentos, banhada no amor do trabalho com a Terra.
Assim completou-se um ano. Nasceu um pequenino bebê. A agroecologia nos guiou desde o princípio. Orientando nossos pensamentos e atitudes em coerência divina com todas as forças e energias da natureza.
Passado esse ano, nossa rede se tornou cada vez mais coerente com o contexto da sociedade global onde a remediação ambiental se faz urgentemente necessária. Atraindo cada vez mais pessoas, expandindo-se em sua fluídez, a BioSócioRegional juntou uma grande família dispersa nos diversos recantos do Estado.




Neste primeiro encontro do ano de 2009, realizado no Quilombo São José junto a Festa dos Pretos Velhos, os diversos atores da rede puderam interagir com os remanescentes de quilombolas, guardiães de um sagrado vale iluminado e de uma esplendorosa cultura ancestral africana.



A troca entre a BioSócioRegional e a cultura quilombola não poderia ter sido mais harmônica. Ambos possuem uma intensa espiritualidade baseada em músicas de reverência aos poderes e as entidades da natureza.
Eis um tipo de encontro aonde todos saem ganhando. Fortalecendo a rede de cultura agroecológica do estado do Rio de Janeiro. E enchendo a alma de Luz, Alegria e Serenidade.
Alguns objetivos da Rede BioSócioRegional:
_Comer apenas alimentos agroecológicos, ou ao menos orgânicos (sem agrotóxico).
_Reduzir a produção de lixo. Considerando lixo aquilo que não pode servir pra nada.
_Difundir e fundiar a Agricultura Ecológica, realizando manejos das áreas escolhidas para os encontros de acordo com a época de cada.
_Fortalecer uma rede de atores interessados no desenvolvimento de um mundo ecologicamente sustentável, socialmente justo e culturalmente viável. Levando consigo os princípios de cooperação, amor mútuo e perdão universal.



Venha fazer parte você também da Rede BioSócioRegional Rio!! Fortaleça essa rede de cultura sustentável e espiritualidade pela Cura do planeta Terra, nosso Paraíso!!!
Em breve, aqui, notícias dos próximos encontros...
Até lá!

domingo, 26 de abril de 2009

Marcha da Maconha 2009 , veja o dia da sua cidade!!


A humanidade, desde tempos imemoriais, tem feito uso de plantas de poder em rituais de carácter religioso. Algumas plantas, como a Cannabis e a Coca, ainda hoje presentes no nosso cotidiano, fazem parte de hábitos culturais humanos herdados de nossos antepassados mais remotos.
Mesmo depois da proibição recente dessas plantas (recente se considerarmos que fazemos uso a milênios e a proibição tem menos de um século) a humanidade não parece estar se distanciando do consumo de tais substâncias. Pelo contrário, o consumo tem crescido a cada dia mais.
Vemos assim, que se torna impossível, ou improvável, que tais substâncias sejam plenamente extintas do mundo. A crença do sistema político na erradicação dessas plantas é ao menos uma infantilidade, por não observar circunstâncias muita claras da sociedade.
A proibição, no entanto, remonta a estratégia das indústrias textêis e petroquímicas em revogar seu domínio economico. Domínio que, no final da década de 1920, forçou a proibição da Cannabis por célebres motivos. A indústria petroquímica começava a ganhar força como fornecedora de combustíveis à um crescente mercado automobilístico, e o óleo de Cannabis já tinha se mostrado, com a construção de uma carro integralmente feito e movido a Cannabis pelo engenhoso Henri Ford, como um terrível oponente aos combustíveis fósseis. Por outro lado, a indústria textil avançava nas pesquisas dos tecidos sintéticos, e os tecidos feitos de fibra de cânhamo (espécie de cannabis que não possui poder enteógeno) não poderiam mais ser produzidos, por sua tremenda eficiência economica e ecológica.
Desta feita, no final dos anos 1920 e início dos anos 1930, a Cannabis passou a ser proibida nos EUA e posteriormente em outros países do mundo. Algum tempo depois, outras plantas e substâncias foram também reprimidas (como a Coca, o LSD etc) por despertarem nas pessoas sérios questionamentos contrários a funcionalidade do sistema capitalista.



A Questão, Hoje.

Atualmente, o problema que envolve as conhecidas ‘drogas’ está espalhado pela sociedade enquanto gérmem de uma tragédia anunciada. Concentrada em guetos, comercializada aos quilos pelas ruas das cidades, a venda de ‘drogas’ gera uma receita inesgotável, capaz de oferecer uma vida rentável a milhares de pessoas.
O que transformou o problema inicial, que era apenas economico, em um grande problema social e político. Hoje em dia, a legalização do plantio de tais substâncias – em especial a Cannabis e a Coca – extinguiria um mercado que já alimenta e sustenta muita gente. A proibição, no entanto, tem se mostrado ineficaz em todos os sentidos.
A guerra do Estado contra o tráfico de drogas é uma guerra onde todos nós saimos perdedores. Uma guerra entre familiares. Uma guerra extremamente corrupta, silenciosamente hipócrita, sigilosa e, por isso mesmo, escancarada ao mundo inteiro.


Uma possível compreensão...

Como podemos solucionar esse dilema, esse terrível quebra-cabeças que agora se apresenta? Se por um lado a proibição se tornou incapaz de solucionar os problemas que propôs solucionar, inclusive criando outros de maior magnitude e complexidade. Por outro, a legalização se mostra um processo muito arisco, ainda com riscos de acirrar mais os problemas já existentes.
Acredito, que antes de mais nada, a sociedade precisa comprender o real significado das plantas de poder na vida humana. Debater o tema é uma das ações mais importantes para resolver essa questão que afeta a vida de tantas pessoas ao redor do mundo.
A marcha da maconha é um evento que acontece simultaneamente em centenas de cidades do mundo inteiro, todos os anos, recentemente nos meses de Maio, e tem por objetivo debater a legalização da Cannabis, vulgarmente conhecida como maconha.
Para maiores informações acesse:
www.marchadamaconha.org

sábado, 18 de abril de 2009

Quilombo de Agroecologia

Diversos grupos tem se interessado atualmente pelo estudo de Agroecologia. Se trata de um modelo diferente de ocupação humana, que tem se desenvolvido muito nas últimas décadas, transformador das relações insustentáveis hoje estabelecidas entre o homem e a natureza que o envolve. Seu intuito é modificar a base da cadeia produtiva humana através da mudança do olhar e das perspectivas que possuem as populações agricultoras.

Ao invés do grande modelo monocultor, aonde o sitiante estabelece o cultivo de apenas um único alimento ao longo de grandes áreas, nos moldes agroecológicos, são manejados diferentes tipos de alimentos numa mesma área. Tendo por objetivo não só a produção de alimentos mas também o enriquecimento do solo e a regeneração da floresta produtiva, o sistema agroflorestal (SAF como é conhecido) procura manter-se em sintonia com os ciclos naturais que influenciam definitivamente o comportamento do cio das plantas.
A implantação de SAF’s representa, cada vez mais, as aspirações humanas por um sistema que seja ecológicamente sustentável, economicamente viável e influencie o despertar da sociedade para a harmonia que é viver de uma maneira auto-sustentável e ecologicamente correta.
Ao fazer sua própria agrofloresta, na sua casa, você poderá ter uma gama diversa de alimentos, com a certeza da qualidade orgânica na sua alimentação, sem que tenha que gastar dinheiro para isso. Além disso você contribui para a qualificação ambiental da Terra, criando uma área de regeneração de floresta nativa ao mesmo tempo em que mantém uma roça produtiva. Mantendo uma relação saudável com a terra, você certamente estará trabalhando também sua própria saúde interna, no corpo, na mente e no espírito.
Essa é a realidade que pode ser verificada, na prática, no Quilombo Campinho da Independência, em Paraty.

Através de projeto realizado pelo IDACO (instituto de desenvolvimento e ação comunitária) com apoio do PDA (Ministério do Meio Ambiente), são beneficiados as cerca de 120 famílias moradoras do Campinho e remanescentes de Quilombolas. Na comunidade já foram implantados cerca de 20.000 metros de SAF’s, apenas nos últimos cinco anos, da onde se pode colher café, inhame, juçara, banana, urucum entre outras árvores florestais que complementam um plantio predominantemente ocupado por milhares de Palmitos de Pupunha.

O plantio monta uma ‘sincronicidade de luz’, onde as espécies, em seus diferentes tamanhos e ciclos biológicos, podem se beneficiar mutuamente fortalecendo a biomassa concentrada na região. Manejo é a palavra chave da agroecologia. O plantio, realizado uma única vez, pode dar colheitas de elementos diversos, em diferentes épocas, durante muitos e muitos anos.

A criação e manutenção de um viveiro, no entanto, se torna fundamental para que se complete o ciclo: colheita, reprodução, novo plantio. Isso garante a continuidade e eterna sustentabilidade do sistema em seu carácter ambiental, produtivo e economico; dando aos moradores do Campinho da Independência a certeza de que deixarão para os seus filhos e netos um mundo muito mais puro, bonito e generoso.


Em breve, mais uma edição da Revista ECOS, Ecologia Sustentável, estará disponível em formato audiovisual (ebook) no link SementesCaboclas, na coluna ao lado. Não perca!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Caio na rede...

Um dia, deitado à rede, numa trânquila e sorrateira tarde de quinta, ocorreu-me o pensamento de que tínhamos inventado uma coisa extremamente simples, que é ao mesmo tempo um produto muito sofisticado, que nos envolve e acalenta num delicioso balanço aconchegante.



Uma rede!

União de diversos pontos, milhares de linhas isoladas, movimentos entrelaçados e descontínuos, que dentro desse imenso emaranhado, cumprem seu importante papel. O papel de formar uma rede. De ser um elo de força que sustenta e se junta, numa perfeição caótica, para realizar um plano maior.

Deitado à rede, abri meu caderno.

Através dele me conecto a uma outra rede. Nesta, sou apenas um laço, um pequeno pedaço, um sonho de alguém, que está deitado à sua rede agora, lendo, escrevendo e navegando em seu pequeno caderno. Meu caderno aberto mostra o que estão pensando outras pessoas, em outras partes do mundo... caminhando com seus cachorros pelas ruas, subindo montanhas assombrosas, realizando projetos inovadores... Todos acomodados a rede! Envolvidos e acalentados pelo balanço das ondas da tecnologia. Que está nas coisas mais simples da vida, que está no ar.



Este meu pequeno caderno, ah... este pequeno caderno sempre pode me levar a algum lugar, me mostrar um desenho, as condições do mar, um raro amigo.

Este pequenino caderno, amante moderno, que anda sempre comigo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Grito de Gaya

"Aprende-se que, na verdade, precisaríamos de poucas coisas. Que a volúpia de possuir e acumular é uma perversão dos civilizados."

Acredito que com essa edição n.13 atingimos uma nova fase desse trabalho. Concluímos que a prática da ecologia e da sustentabilidade precisam ser exercitadas diariamente se quisermos realmente reverter o quadro de desgaste e de penúria que a sociedade planetária está vivendo.

As crises economicas, sociais e ambientais se tornam eminentes. E mais urgente se torna a necessidade de tomarmos uma postura diferente nas relações que estabelecemos com o mundo.

Assista aos vídeos das últimas edições da Revista ECOS clikando no link SementesCaboclas (no lado esquerdo), e conheça um pouco mais sobre as pesquisas que estamos realizando sobre Ecologia e Sustentabilidade.

Nas próximas edições procuraremos mostrar experiências práticas de sustentabilidade que deram certo e se tornaram verdadeiros templos de ensinamentos para uma vida em contato com a Mãe Terra.

Ahooo!

e até a semana que vem...

terça-feira, 10 de março de 2009

O Grito de Gaia



Do coração da Terra surge um grito silencioso. Sutil como um assobio. Um canto fino que atinge a todos os corações com uma força impressionante. Este é o grito de Gaya, nossa nave mãe Terra, chamando todos os seres humanos para despertarem sob as sombras da escuridão.
Não mais podemos continuar a ofender e destratar nossa mãe. Não há mais tempo a perder. Vivemos séculos, talvez milênios, descuidados, venerando ao pai, à patria, e a um velho sistema patriarcal. Sistema que se distanciou da harmonia profunda que a mãe natureza sustenta sobre nós, se desvencilhou dos ciclos naturais que devem ser respeitados como a nossa própria vida.
A Amazônia, hoje “pulmão do mundo”, sofre com esse desencontro entre o ‘desenvolvimento’ e a ‘sustentabilidade’. A busca de um equilíbrio tem despertado a atenção de estudiosos e cientístas. Mas, até agora, o que tem sido feito sobre isso?
Por enquanto, não muito. O que vemos é a expansão devastadora de um processo que, há séculos, vem destruindo a Amazônia. A expansão de empresas mineradoras e madeireiras que, ao chegarem em pequenas cidades, aliciam os moradores a mudarem o seu modo de vida e se empregarem na extração dos recursos naturais da floresta com a garantia de um futuro vistoso para si e sua família.
Porém, em poucos anos, esgotada a extração do minério (bauxita), ou da madeira, as empresas vão embora deixando rios poluídos (em geral com mercúrio, que causa doenças graves, como o cancêr por exemplo) florestas devastadas e uma população que perdeu, junto com as riquezas naturais, seu modo de vida tradicional, saudável e sustentável.
Isso está acontecendo, agora, na Amazônia, em lugares importantes como o Rio Tapajós e a cidade de Juruti, na margem do Rio Amazonas, onde a população local tenta resistir (impotentemente) à força das grandes empresas.
Há também muitos casos de barragens que estão sendo construídas por hidroelétricas que alagam grandes áreas da floresta, onde ocasionalmente habitam povos indígenas e populações ribeirinhas, que são obrigados a abandonar suas terras.
Sem ter aonde ir, muitos deles acabam migrando para a zona periférica de grandes cidades, onde não se adaptam perfeitamente (por terem um modo de vida diferente e conhecimentos que não são valorizados nas cidades) e acabam por inflar as regiões suburbanas que não possuem condições higiênicas e sociais para uma vida saudável.
Como se não bastassem esses processos que agora acomentem o Norte (e talvez o restante) do país, os agricultores que não perderam suas terras por enchentes ou desastres poluentes, tem optado por abandonar a agricultura e investir na pecuária como meio mais rentável de vida.
Assim, em regiões não adequadas, como às margens dos rios por exemplo, vemos as florestas nativas sumindo e dando lugar a pastagens. Isso, além de ajudar na extinção de animais originários da floresta, vem ajudando o açoreamento dos rios, que junto com as florestas, são fundamentais na conservação da biodiversidade e da temperatura agradável do nosso planeta.
Me parece que estamos no limiar, extremamente tênue, de uma era da humanidade. Se continuarmos assim, descuidados com relação a harmonia da natureza, em poucos anos mudanças drásticas irão acontecer no planeta e mudarão, definitivamente, a história da humanidade neste pequena planeta Terra.
Precisamos refletir nossas ações, e para além das palavras, transformar nossas atitudes em ações corretas. Precisamos ouvir o silencioso e profundo grito de Gaya. A Terra chama por seus filhos!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mapinguari – O Grito de Gaya!



A Festa Mapinguari (dia 12/03, na Lapa) celebra o lançamento da edição n.13 do Zine ECOS – Ecologia Sustentável.


A lenda do Mapinguari, um ser aterrorizante que vive na selva amazônica devorando os lenhadores que querem pôr a floresta abaixo, incorporada na cidade do Rio de Janeiro, revigora o grito do planeta Terra para a depredação ambiental que estamos causando.

Já estão disponíveis também no link Sementes Caboclas (ao lado) as fotos e filmes das edições n.12 (sobre o FSM 09) e n.11 (sobre a Escola da Mata Atlântica). Em breve, nesta página estará também disponível o texto da edição n.13.

Toda a renda do evento será revertida para a Escola da Mata Atlântica em favor da difusão do conhecimento sobre agricultura ecológica e sustentabilidade.